A cavalgada estratégica de Wellington 

Sabias que… em meados de abril de 1811, no contexto das operações preliminares da Batalha de Fuentes de Oñoro, o Duque de Wellington já delineava estrategicamente a recuperação definitiva de Almeida?

Conhecendo as intenções do Marechal Massena, Wellington procurava impedir o avanço francês em direção à Praça de Almeida, onde permanecia ainda uma pequena guarnição francesa.

Wellington tinha plena consciência do estado precário em que se encontravam as tropas francesas após a retirada das Linhas de Torres Vedras e calculava que Massena necessitaria de várias semanas para reorganizar o seu exército e voltar a reunir condições eficazes de combate. Nesse contexto, começou a ponderar a consolidação do isolamento de Almeida e, de forma estratégica e inesperada, decidiu realizar uma visita há muito adiada à Extremadura.

“Convicto então de que não tinha nada a temer durante algum tempo, Wellington partiu de Vilar Formoso na manhã de 15 de abril, chegou ao Sabugal nessa noite, a Castelo Branco no dia 17 e a Elvas ao meio-dia do dia 20. Foi uma viagem extraordinária, tendo em conta as estradas montanhosas que tiveram de percorrer, mas Wellington era um cavaleiro formidável e, acompanhado por apenas alguns oficiais, deslizou como o vento sobre colinas e vales. Permaneceu apenas quatro dias na Extremadura. Durante este curto período, inspecionou Badajoz e emitiu instruções concisas para o cerco; e, regressando tão rapidamente como tinha partido, refez o percurso, estando de volta aos arredores de Vilar Formoso-Almeida no dia 29, tendo estado menos de quinze dias ausente do seu exército.”

A rapidez destes movimentos causou perplexidade entre os franceses, levando-os a admitir que Wellington pudesse estar a concentrar a sua atenção na Extremadura.

Assim, poderá esta rápida deslocação entre Vilar Formoso e Elvas-Badajoz ter servido simultaneamente vários objetivos estratégicos? Proteger o flanco sul em torno de Elvas, preparar futuras operações sobre Badajoz, induzir Massena em erro quanto às verdadeiras prioridades aliadas e, ao mesmo tempo, favorecer o isolamento e a recuperação definitiva de Almeida?

Bibliografia

OMAN, C. (1911). A History of the Peninsular War, Vol 4. Clarendon Press. Oxford. (p. 288-298)

CAMPOS, J. e COBOS, F. (2016). Almeida / Ciudad Rodrigo: A Fortificação da Raia Central; Consorcio Transfronteirizo de Ciudades Amuralladas. Salamanca. (p. 87-89)

Imagens

CAMPOS, J. e COBOS, F. (2016). Almeida / Ciudad Rodrigo: A Fortificação da Raia Central; Consorcio Transfronteirizo de Ciudades Amuralladas. Salamanca. (p. 87, 422, 426, 427)

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