Coronel Francisco Bernardo Da Costa E Almeida

Sabias que o Tenente-Rei da praça Francisco Bernardo da Costa e Almeida foi condenado injustamente? 

Francisco Bernardo da Costa e Almeida nasceu em 1765, na cidade de Viseu.

Com a ameaça da 3ª Invasão Francesa, foi integrado nas forças de defesa da Praça-forte de Almeida com a função de Tenente-Rei, substituindo o Governador Beresford na sua ausência.

Almeida, na manhã de 27 de Agosto estava reduzida à penúria. Entraram na Praça dois parlamentários para falar ao Governador, apresentando-lhe uma intimação de Massena para se render. Foi convocado o Conselho de Guerra para tratar da sua negociação.

O Tenente-Rei “teve o prestígio suficiente para se fazer ouvir e obedecer”, teimando em inquirir os seus oficiais. Foi resolvida a capitulação, sem que nem um nem outro precisassem de votar, assinada pelo Governador Guilherme Cox.

Da convenção da capitulação transcrevemos a seguir o texto original:

– «Acampamento defronte de Almeida, 27 de Agosto de 1810.

Ass. O Marechal, Príncipe de Essling, Comandante em chefe do Exército de Portugal –  Massena,

Aceito  –  Guilherme Cox, Governador».

Massena instalou o seu Quartel-general no Fuerte de la Concepción. O Tenente-Rei, recusando-se a servir os franceses, ficou prisioneiro.

O desastre sobre o paiol e os gravíssimos danos que a estrutura defensiva sofreu levaram os Marechais Wellington e Beresford a reconhecer “não poder a praça d’Almeida defender-se proficuamente até muito tarde (…)”; contudo, não esperavam que a capitulação fosse tão precoce. Na sequência da mesma, o Coronel Cox redigiu uma carta a Lord Liverpool, a qual esteve na origem do processo que haveria de condenar o Tenente-Rei. A carta chegou a Wellington, que a devolveu a Beresford.

Este desastre tinha de ser atribuído a alguém. Urgia ilibar o Governador Cox e encontrar um “cabeça de turco” para justificar o desaire.

O Tenente-Rei foi preso em 1810 pelo exército napoleónico na sequência da capitulação da Praça-forte de Almeida. Cerca de 30 dias depois conseguiu evadir-se, com o objetivo de se encontrar com Beresford. Ao fim de aproximadamente 3 meses chegou finalmente ao Cartaxo. No entanto, sem esperar, foi preso por ordem de Beresford.

Foi enviado para os calabouços do Castelo de São Jorge, onde ficaria cerca de um ano sem conhecer as acusações que sobre ele recaíam.

Em Outubro de 1811 foi-lhe instaurado o processo com base numa carta do Governador Cox a Lord Liverpool.

Em 1812, entre 18 e 20 de Abril decorreu o Conselho de Guerra. Apesar dos testemunhos a favor o Tenente-Rei foi condenado e a sentença lavrada a 20 Abril 1812, e confirmada a 15 de Junho por Beresford, o qual a mandou publicar a 12 de Agosto, não se baseando em traição mas por “cometer fraqueza e mostrar desanimo”, cabendo-lhe a pena de morte.

“…foi sacrificado inocente… que nunca foi traidor… nunca cobarde… e por isso infundadamente se lhe imputou a entrega de Almeida e injustamente foi condemnado contra as provas dos autos… Tem por consequência bem merecido direito a conservar illeza na posteridade a sua reputação e fama.

Viva pois na memoria dos homes, aquelle que entre os homes viver mais não pôde…”

O Tenente-Rei foi arcabuzado a 22 de Agosto de 1812.

Imagem 1: Reconstituição possível dos traços fisionómicos do Coronel Francisco Bernardo da Costa e Almeida.

Imagem 2: Execução Militar

Referência Bibliográfica: Almeida, António de Pádua da Costa e. “ Memória Analítica do Conselho de Guerra ao Coronel Francisco Bernardo da Costa e Almeida”