Esboços Dos Planos E Profiz Da Praça De Almeida

Hoje é o segundo dia da Recriação Histórica do Cerco de Almeida! Conheça um pouco mais sobre a 3.ª Invasão Francesa  e o seu impacto na Vila de Almeida.

A Explosão do Paiol do Castelo – Iconografia pós Agosto de 1810:

Após a Explosão do Paiol do Castelo, o levantamento do seu estado de conservação pelos Tenentes-coronéis Engenheiro Bernardo de Caula e Major Engenheiro Neves da Costa, com as convenientes obras a executar no “Esboço do Plano e Profiz da Praça de Almeida” dava conta que a grande sapata da muralha sofrera graves danos e, na muralha entre os Baluartes de S. Francisco e de Santo António a ruína foi quase total, tendo tido semelhante sorte parte do Baluarte de Nª. Sr.ª das Brotas, onde se incluía o Arsenal da Praça, o flanco esquerdo do Revelim da Tasqueira e Porta da Cruz, bem como a Poterna de S. Pedro.

Simultaneamente ao levantamento do estado da Praça, executam algumas propostas “pello modo mais expedito para pôr a referida Praça em estado de resistir a hum golpe de mão” Para além do estado da fortificação, a ruína dos edifícios era quase geral e, nas palavras de Caula e de José Maria das Neves da Costa, “de 718 moradas de Cazas, comprehendidas antigamente no Recinto desta Praça, só existem 180 habitaveis”, nada se registando no entanto sobre o seu estado de ruína.

Registavam ainda na sua “Planta da Praça d´Almeida” o estado de ruína do edificado e dos próprios equipamentos militares onde se inclui o Hospital, a Casa do Governador, o Corpo da Guarda e os quartéis, “huns inteiramente destruídos, outros em total ruína” (Conceição 1997, 280).

Na parte menos atingida pela violenta explosão, registam-se algumas casas sem telhados e, no Terreiro de S. João, a capela desapareceu, mas continuava de pé o pelourinho.

No seguimento do levantamento executado dão-se início às obras na fortaleza que, apesar de urgentes, avançavam devagar, exigindo um grande esforço financeiro e de mão-de-obra que, embora incluísse milicianos, paisanos e presos dos “Corpos do Exército, Sentenciados ao trabalho das fortificaçoens” (Quinta: 2007, 173) era ainda pouca para tantos trabalhos, apesar disso, até 1814 fazem-se obras nas escarpas dos Baluartes de S. Pedro, de S. Francisco e respetivas portas da Cruz graças ao financiamento dos negociantes da Vila, projetando-se novas pontes de cantaria em substituição das de madeira, beneficiando também o Hospital da construção de novos telhados e cozinha.

As obras continuavam devagar e, um ano depois, dado o estado em que se achava a praça, Beresford, o mesmo que sentenciou a morte do Tenente-Rei, pronunciava-se, também, a favor da extinção da Praça-forte, chegando mesmo a sugerir outro local para a fortaleza “já antes de ser-me aprezentada esta Memória [reflexões do tenente Coronel Azedo] eu havia observado a V. Ex.ª a necessidade de desmantellar aquella Praça e de retirar dali toda a Arthilheria, e Muniçoens” (Carvalho: 1988, vol. II, 22-24), sentença contrariada pelo Ministério da Guerra mas apenas por breve tempo, até porque era evidente o estado de abandono da praça pelo arrastamento das obras e, três anos depois, os equipamentos permaneciam em mau estado, levando mesmo à ruína as Portas da Cruz devido ás chuvas do Inverno (de 1823).

Imagens: Esboços dos Planos e Profiz da Praça de Almeida; O tenente Coronel Caula e o Major Neves Costa; AHM/FE/3/47/18370.

Referências Bibliográficas:

Campos e Cobos; Almeida/ Ciudad Rodrigo; ” A Fortificação da Raia Central”; Consorcio Transfronteirizo de Ciudades Amuralladas; 2016. (p.423,424)

Carvalho, Vilhena; Almeida, Subsídios para a sua História; 1988; vol.II; pp.22-24

Conceição, Maria Tavares da, Almeida, Da Vila Cercada à  Praça de Guerra, Dissertação de Mestrado, vol.1, FNL, 2017 (texto policopiado).