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Autor do mês de agosto

Agosto 4 @ 9:00 - Agosto 31 @ 17:30

Eduardo Lourenço

Eduardo Lourenço nasceu em São Pedro do Rio Seco, no dia 23 de maio de 1923, tendo 97 anos, neste momento. Filho de Abílio de Faria, capitão de infantaria, e de Maria de Jesus Lourenço, é o mais velho de sete irmãos.

Em 1933, concluiu o ensino primário, em São Pedro do Rio Seco, com distinção no exame final, tendo frequentado a 3.ª classe na Guarda, onde volta, em 1934, para frequentar o 1.º ano do ensino secundário no Liceu Afonso de Albuquerque. Em 1935, ingressa no Colégio Militar para concluir os estudos liceais. Em 1940, é admitido na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra para estudar Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Ciências.

Inicia, assim, a sua vida universitária, colaborando na revista “Vértice”, da qual é um dos fundadores, fazendo parte do movimento neorrealista português. Escreve recensões de livros: Alcateia de Carlos Oliveira; Primavera cinzenta de Francisco Costa; Casa da Malta de Fernando Namora. Colabora, também, em vários jornais, como o “Diário Popular”, “A tarde”, “Diário de Coimbra” e na revista “Seara Nova”.

Em 1946, conclui a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas com a defesa da tese O Idealismo Absoluto de Hegel ou o Segredo da Dialéctica, sendo logo convidado, pelo Prof. Joaquim de Carvalho, para Assistente do curso de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Nesse período, em 1949, publica o seu primeiro livro Heterodoxia I, que reúne uma parte da sua tese de licenciatura.

De novembro de 1949 a junho de 1950, fixa-se em França, a convite do Reitor da Faculdade de Letras da Universidade de Bordéus e com uma bolsa de Estágio da Fundação Fullbright, a fim de colaborar no “Corpus des Philosophes Français” na reedição de parte da obra e Malebranche. Nessa altura, conhece Annie Salomon, estudante no Instituto Hispânico da mesma Universidade, com que se casa em 1954.

Regressa a Portugal, mas em 1953 volta para Paris, onde fica mais dois meses, com uma bolsa do Instituto de Alta Cultura, a fim de prosseguir a investigação sobre Malebranche. Como leitor de Português ou como professor convidado, dá aulas nas Universidades de Hamburgo, Heidelberg, Montpellier, Baía, Grenoble e Nice, fixando residência em Vence (Alpes Marítimos). Em 2013, fica viúvo e radica-se, definitivamente, em Lisboa.

Como escreve Mota da Romana, no livro Antologia de escritores da Guarda: século XII a XX (p. 299), Eduardo Lourenço «é fundamentalmente um ensaísta de tendência filosófica e um crítico literário». Conviveu com Miguel Torga, Carlos Oliveira, Vergílio Ferreira e outros…, em Coimbra. Correspondeu-se com o escritor e crítico literário, Jorge de Sena. Escreveu múltiplos artigos em revistas. Realizou inúmeras conferências no nosso país e no estrangeiro, sendo sempre requisitado para atos solenes e protocolares em Universidades e Instituições de índole cultural. A sua produção bibliográfica é tão extensa quanto profunda. Como dizia Arnaldo Saraiva, “… para além de ser um companheiro admirável das nossas jornadas sociais e culturais, a mais aguda e esclarecida consciência de consciências e de inconsciência portuguesas. É um ensaísta de primeira grandeza e um dos maiores e mais lídimos representantes do ensaísmo português do séc. XX, ao lado de António Sérgio, de José Régio, Adolfo Casais Monteiro, Jorge de Sena… Os prémios “Ensaio Charles Veion”, em 1988, “D. Dinis” e “Camões”, em 1966, são o reconhecimento e a consagração do escritor. Escritor, porque, como diz Ramos Rosa, “é uma escrita que flui em subtil transparência/como se fora um sopro e silêncio”.

Concluindo e citando Mota da Romana, «o seu espírito crítico, o seu pensamento filosófico, a sua perceção dos valores, “desarrumando” o que é mais difícil de desarrumar, a sua visão totalizante do mundo, são marca distintiva das suas obras», traduzidas na maior parte em espanhol, francês, italiano e até em línguas eslavas.

Na Biblioteca Municipal Maria Natércia Ruivo, podem ser lidos os seguintes títulos “de e sobre” Eduardo Lourenço:

LOURENÇO, Eduardo; OLIVEIRA, António Braz de (coord.) – Fernando Pessoa no seu tempo. Lisboa: BN, 1988.

SENA, Mécia de (org. e notas de) – Eduardo Lourenço/Jorge de Sena. Correspondência. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1991.

SANTOS, Maria Helena Carvalho dos – Homenagem a Eduardo Lourenço. Lisboa: s.n., 1995.

LOURENÇO, Eduardo – O espelho imaginário: pintura, anti-pintura, não-pintura. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1996.

REAL, Miguel – Eduardo Lourenço: os anos de formação 1945-1958. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2003.

LOURENÇO, Eduardo – Fernando Pessoa: rei da nossa Baviera. Lisboa: Gradiva, 2008

REAL, Miguel – Eduardo Lourenço e a cultura portuguesa (1949-1997). Lisboa: Quidnovi, 2008.

LOURENÇO, Eduardo – O autor de uma abelha na chuva. Pessoa: revista de ideias. Lisboa: Casa Fernando Pessoa. (Set. 2011).

RODRIGUES, Maria Teresa – Eduardo Lourenço, hermeneuta do imaginário português. Lisboa: Fundação Eng. António de Almeida, 2012.

LOURENÇO, Eduardo – O homem de branco. In PAPA FRANCISCO – A paz é o caminho. Lisboa: Glaciar, 2015.

LOURENÇO, Eduardo – Escrita e doença na obra de Fernando Namora. In NAMORA, Fernando – Retalhos da vida de um médico. Alfragide: Caminho, 2016.

Detalhes

Início:
Agosto 4 @ 9:00
Fim:
Agosto 31 @ 17:30
Categoria de Evento:

Local

Biblioteca Municipal Maria Natércia Ruivo
Rua Conselheiro Hitze Ribeiro 8
Almeida, 6350-125 Portugal
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