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Autor do mês de março

Março 1 @ 9:00 - Março 31 @ 17:30

José Victor Correia nasceu em novembro em 1942, sendo natural de Almeida, onde frequentou o ensino regular: «é nativamente camponês,
cedo vendo suas fortes gentes tanto penando e sempre resistindo por duras terras de beirão planalto de horizonte imenso em toda a volta, com
altas serras lá ao longe, de desafio a subi-las e a ver de lá melhor como era o céu».
Cedo se mudou para Lisboa, para estudar Filosofia na Universidade de Lisboa. Aí construiu a sua vida pessoal e profissional, dedicando-se ao
exercício de docente. Como autodidata e amador, dedicou-se ao desenho, à pintura, à escultura e à escrita na forma da poesia, tendo publicado
em 2007 a sua «primeira obra escrita»: Terra pressa do futuro – uma edição de autor distribuída pela editora Quidnovi.
«Aqui chegados, me resta terminar com duas confissões: Primeira: tudo cedo aconteceu, começando há já bastante tempo, em anos de
juventude de que procuro nunca perder o rasto. (…) Como me atrevi? Família e amigos incitaram-me, acusando-me de não ter o direito de deixar
tudo a ficar sempre só comigo, sem as partilhar (…). Segunda: aceitei o desafio e outros irão seguir-se.»
Segundo Sara Ludovico, que prefaciou a edição, «estamos na presença de uma poesia que está sobretudo ligada à terra e ao tempo onde se
alegoriza uma escrita do desejo e da esperança», «uma poesia naturalmente humana e por isso “intemporal” no seu modo de ser, que podemos
inscrever em muitos filões da tradição poética portuguesa». «Ao longo destes poemas vemos reunidos muitos espaços num só espaço e muitos
tempos num só tempo, que se afirmam sobretudo, como memórias, pois um mesmo espírito perdura ao longo da obra, para além das
inexoráveis transformações, conferindo-se uma sóbria e sólida unidade. Este caminho de palavras, feito por entre tempos e lugares familiares,
continuamente redescobertos e enriquecidos, são a premissa do encontro, da aventura (Ai de mim se a minha vida / Fosse ela toda / Somente
uma viagem certa, / Nunca imprevista) e a mais fascinante das viagens é o regresso (…). E este é um poeta que regressa, pois só quem é capaz de
amar e de aceitar assim a vida o pode fazer».

O livro pode ser lido na Biblioteca Municipal Maria Natércia Ruivo.

Olho e não vejo, vejo e não olho

Tantas, tantas vezes
E coisas tantas
Olho e que não vejo

E que outras coisas vejo
Que não são tantas

Mas que não olho
Porque eu as vejo sempre
Sem nunca precisar
De eu as olhar.

Meu Deus, meu Deus,
Que O olho tanto
Como me dizem para O ver
E como é bom eu vê-Lo
Tal como não preciso nunca
De alguma vez O olhar!?…

Oh, minha vida, minha vida,
Que tantas, tantas coisas
Eu dela olho e que não vejo

E que outras coisas
Já não as olho
E sempre as vejo
Como eu não quero
E não preciso de as olhar!

Detalhes

Início:
Março 1 @ 9:00
Fim:
Março 31 @ 17:30
Categoria de Evento:

Local

Biblioteca Municipal Maria Natércia Ruivo
Rua Conselheiro Hitze Ribeiro 8
Almeida, 6350-125 Portugal
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