Almeida voltou a viajar no tempo entre os dias 28 e 30 de agosto de 2026, acolhendo a 22ª edição da Recriação Histórica do Cerco de Almeida na sua Praça-forte, evocando os acontecimentos de 1810, durante a Terceira Invasão Francesa
Ao longo de três dias, a História e o Património cruzaram-se numa programação para diferentes públicos, envolvendo centenas de participantes e milhares de visitantes.
A recriação contou com a participação de cerca de 460 recriadores portugueses e estrangeiros, oriundos de Espanha, França, Alemanha, Inglaterra e Portugal, que deram vida e contextualizaram os atributos da singular fortaleza.
Rondas de sentinelas, acampamentos militares, demonstrações táticas e encenações e recriações de combate contribuíram para recriar o ambiente vivido na Fortaleza há mais de dois séculos.
A programação teve início na sexta-feira com o já tradicional Baile Oitocentista “Do Salão até à Praça”, que proporcionou uma viagem aos ambientes sociais do século XIX, reunindo participantes e público num momento marcado pela dança e pela recriação dos costumes da época, ao som de música portuguesa de oitocentos e de canções e modinhas nacionais e estrangeiros. O baile é já uma referência dentro da programação do Cerco e acolhe cada vez mais bailarinos da comunidade, para além do GRHMA, entre adultos e crianças.
No sábado à noite, o destaque foi o desfile das tropas históricas e a grande recriação noturna da batalha, no Fosso do Revelim do Paiol. Centenas de recriadores deram vida ao Cerco de 1810, envolvendo o público numa encenação / recriação marcada pela emoção e pela pólvora. No domingo pela manhã, o Fosso do Baluarte de São Pedro / Revelim da Brecha acolheu a recriação diurna, com demonstrações de táticas de combate e de assédio, reforçando o rigor histórico das encenações.
O domingo ficou também marcado pela homenagem aos tombados em combate, com toque de clarins e a presença do Exército Português, junto ao Memorial do Castelo. A cerimónia prosseguiu com uma marcha até ao Memorial da Praça Alta, no Baluarte de Santa Bárbara, perpetuando a memória daqueles que perderam a vida durante os acontecimentos de 1810.
A programação dirigiu-se igualmente às famílias, com especial destaque para o Espaço Família, instalado no Terreiro Velho, que registou uma forte participação do público. Ao longo dos três dias, foram dinamizadas oficinas de feltragem de lã, tecelagem e expressão plástica, sessões de contadores de histórias e espetáculos infantis, como “Bzzzoira Moira”, pelo Teatro e Marionetas de Mandrágora.
A componente cultural e patrimonial assumiu igualmente um papel de destaque, com forte afluência ao Museu Histórico-Militar de Almeida, à Biblioteca Municipal Maria Natércia Ruivo e ao Centro de Interpretação das Fortalezas Abaluartadas da Raia (CIFAR).
No Museu Histórico-Militar estiveram em destaque a exposição “A Evolução da Pólvora – Do Pote de Fogo à Pistola Flobert”, do Professor Fernando Brecha, bem como as oficinas e demonstrações de esgrima histórica. O Solar São João acolheu as “Conversas no Solar: Almeida em Jogo – Da História ao Campo Virtual”, enquanto a Biblioteca recebeu as exposições “Almeida em Jogo – Jogos de Tabuleiro para Toda a Família” e “Jogos da Guerra Peninsular”, do Professor Sérgio Veludo.
A programação cultural integrou ainda a visita técnica orientada “Da efeméride do Imperador à tomada da Fortaleza: uma visita pela Praça-Forte de Almeida”, proporcionando uma abordagem aprofundada à história e ao património militar da vila.
Também as publicações do Município registaram uma procura significativa ao longo do evento, impulsionada pela campanha de 50% de desconto, contribuindo para a divulgação e valorização do património histórico e bibliográfico de Almeida.
O Mercado Oitocentista revelou-se, uma vez mais, um assinalável sucesso, com o centro histórico a registar uma forte adesão de visitantes ao longo dos três dias. O público aderiu em massa às diversas atividades programadas: artesãos e mercadores deram vida às tradições do século XIX, enquanto os jogos tradicionais e as atuações de música e teatro mantiveram as ruas permanentemente animadas.
No plano gastronómico, a adesão foi igualmente expressiva. As tabernas estiveram repletas de convívio onde se serviram os melhores petiscos. A Tenda da Biscoitaria foi um ponto de paragem obrigatório, com demonstrações ao vivo de doçaria ancestral. Já a Rota Gastronómica mobilizou os restaurantes e pastelarias do concelho, que aderiram com menus temáticos dedicados à época.
A imersão no século XIX foi reforçada pela dinamização dos espaços temáticos. Muitos visitantes aproveitaram a “Casa do Traje” para se vestirem a rigor, enquanto a “Casa da Moeda” permitiu a troca de moedas. O entusiasmo viveu-se também com a habilitação a prémios através do “Cautela”, bem como com as passagens pela “Loja Oficial” e pela concorrida “Casa do Copo”.
Fica um agradecimento público a todos os participantes e entidades envolvidas que, com o seu trabalho e dedicação, tornaram possível este sucesso de mais uma edição do Cerco de Almeida.
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