Dia Internacional dos Arquivos | 09 de junho 2026
DOCUMENTO DE ARQUIVO EM DESTAQUE | Junho/2026
Assinala-se hoje o Dia Internacional dos Arquivos! Este dia foi instituído em 2007 pela Assembleia Geral do Conselho Internacional dos Arquivos que, por sua vez, foi criado pela UNESCO exatamente neste dia em 1948, com o principal objetivo de destacar a importância dos arquivos na preservação da memória coletiva, na promoção da transparência administrativa e na garantia dos direitos dos cidadãos.
No mês passado partilhámos, como documento de arquivo em destaque, o livro de Assentos dos Expostos, de 1857 a 1863. Hoje decidimos dar a conhecer o documento mais antigo do nosso arquivo: Contas dos Expostos, de 1816 a 1833.
Conforme explicámos no mês passado, um exposto era uma criança abandonada à nascença em locais destinados para esse fim, nomeadamente as Casas da Roda. Eram várias as razões que levavam os progenitores a tomarem a decisão de abandonar os seus filhos nestes locais, motivadas ou pela pobreza extrema ou pela preservação da “honra”, cabendo às Câmaras Municipais ou às Misericórdias acolherem e criarem estas crianças.
No livro de assentos, partilhado no mês passado, vimos que era feito um registo por cada criança acolhida, no qual constava o seu nome, o dia em que foi exposta, a identificação do enxoval que trazia e o nome da ama a quem era entregue. Neste registo era ainda identificado o salário que a ama iria receber por este acolhimento. Por motivos indeterminados, não chegou até aos nossos dias o assento de expostos referente às datas extremas de 1816 a 1833, mas a partir deste documento, Contas dos Expostos, além das despesas inerentes à administração, acolhimento e criação destas crianças, também é possível identificar o nome do exposto e a respetiva ama que o criou.
Este documento é composto por 20 fólios numerados e rubricados, iniciando com o termo de abertura: “Servirá para nele se lançarem as contas dos expostos desta vila”, – ao qual se seguem “autos de contas” com a discriminação das despesas referentes a cada ano. Damos especial destaque à despesa registada no valor de 14$840 (catorze mil e oitocentos e quarenta reis), realizada para pagar a “renda da casa que serve de roda”. Importa referir que esta despesa se refere ao ano de 1816, bastante anterior ao ano de 1843, ano de abertura do edifício da Casa da Roda, conservado até aos dias de hoje e transformado atualmente em núcleo museológico.
Para mais informações, contacte-nos através do e-mail: arquivo@cm-almeida.pt
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