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Comparação de Soldados Históricos

Para melhor compreensão dos acontecimentos históricos que envolveram Almeida e que marcaram as suas páginas de História, perpetuadas atualmente com a recriação de diferentes períodos históricos em atividades promovidas pelo Município de Almeida, este texto pretende comparar detalhes destes dois acontecimentos históricos notáveis para a vila de Almeida, mais concretamente o 2 de julho de 1663 e o Cerco de 1810.

Para isso a comparação entre um soldado dos Terços do século XVII e um soldado português do Regimento de Infantaria Nº 23, de Almeida, do século XIX.

Como se vestiam e combatiam os soldados dos Terços?

Sem uniforme oficial, cada homem pagava o seu próprio vestuário: gibão, calções, camisa, chapéu e sapatos. Já o armamento era fornecido pela Coroa — e descontado do soldo.

Piqueiros, com lanças de até 6 metros e armaduras parciais ou completas.

Arcabuzeiros, elite jovem, bem pagos, usavam capacete, colete e arcabuz — fundiam as próprias balas.

Mosqueteiros, semelhantes aos arcabuzeiros, mas com mosquetes pesados e forquilhas de tiro.

Cada soldado podia ter um criado, e os terços marchavam acompanhados por carregadores, vendedores e até… prostitutas (com regras bem claras!).

Ao longo do tempo, os piqueiros perderam protagonismo para os soldados com armas de fogo — o terço evoluía.

Como se vestiam e combatiam os soldados do Regimento de Infantaria Nº 23?

Já no século XIX, os soldados portugueses usavam uniformes fornecidos pelo Exército, refletindo maior organização militar. O traje típico incluía casaca azul-ferrete, calças largas, colete, barretina, polainas e botas de couro.

Armamento principal: o mosquete de pederneira Brown Bess India Pattern, de alma lisa e carregamento pela boca. Tinha grande poder de fogo, mas exigia treino e cadência.

Equipamento: mochila, patrona (cartucheira), baioneta, saco do pão e, por vezes, manta enrolada ao ombro ou no topo da sua mochila de campanha. Transportavam consigo tudo o necessário para longas marchas e combates.

Tática e combate: Atuação em linha, fogo em salvas e uso coordenado da baioneta para o corpo a corpo. O combate era mais disciplinado, com foco na precisão coletiva e resistência sob fogo inimigo.

Durante as campanhas, os soldados eram acompanhados por serviços de apoio: vivandeiras, médicos, carregadores e elementos logísticos.

O Regimento Nº 23, sediado em Almeida, teve papel ativo nas guerras napoleónicas.

A tabela descreve peças de vestuário típicas de cada figura e as diferenças entre os soldados destas diferentes épocas.

Tabela Comparativa de Vestuário

Soldado Terço (séc. XVII) / Regimento de Infantaria Nº 23 – Almeida (séc. XIX)

Chapéu / Elmo: Morrião ou chapéu de aba larga decorado com pluma. / Barretina regimental e chapéu de polícia.

Gola / Camisa: Gola da camisa com folhos em cano, e gola ornamental do gibão. Lenço colorido, opcional. /Pescocinho em cabedal preto, gola da caminha de abas altas e retas.

Gibão / Casaca regimental: Gibão com ou sem mangas de tecido (burel) ou cabedal. / Casaca azul-ferrete, regimental com vivos, forro, canhão das mangas e gola de cores variadas de acordo com o Regimento onde se inseriam.

Colete: Colete de tecido ou cabedal + faixas coloridas. Colete de tecido, abotoado numa fileira de vários botões (normalmente 9). / Com ou sem gola.

Calças / Pantalonas: Calção largo, terminado nos joelhos e rematados por laço. / Calças brancas (Verão) ou Calças azul-ferrete (Inverno).

Meias / Botas: Meias coloridas até ao joelho e sapato raso estilo boca de vaca ou bota de couro alto e maleável para permitir bainha. / Meias e botas de couro de cano alto, modelo de cavalaria (oficiais). Meias e botim com polaina pela canela. (soldados).

Talabartes / Cinto: Cinto de couro com várias bolsas em couro e cinto para transporte de rapieira. /Talabarte com patrona e talabarte com baioneta

Mochila: Bolsa de campanha simples em tecido. / Mochila inglesa, modelo envelope, de lona. Saco do pão, em tecido.

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