A Guerra peninsular, designação que se usa para o período das Invasões Francesas – que verdadeiramente foram franco-espanholas, uma vez que os exércitos franceses entraram em Portugal acompanhados por forças espanholas – abrange o início do século XIX e estende-se até 1814, ano em que as tropas anglo - portuguesas puseram fim às hostilidades entrando em França, aí vencendo os exércitos napoleónicos.
Cedo se reflectiram essas Invasões na Literatura portuguesa, com relevo inicial para a Poesia, tanto culta como popular, multiplicando-se, neste último caso, em centenas de produções.
Com o desenvolvimento do Romance Histórico também este período alcançou expressão nos nossos maiores Autores, surgindo em obras de Camilo Castelo Branco, Pinheiro Chagas, Rebelo da Silva, Mendes Leal, Arnaldo Gama, Conde de Ficalho, Alberto Pimentel, Abel Botelho, Carlos Malheiro Dias, Fonseca Benevides, Campos Júnior, André Brun, Júlio Dantas, Aquilino Ribeiro, Tomaz de Figueiredo, Branquinho da Fonseca, Júlio Sousa e Costa e, já no final do século XX e princípios deste, em Autores como Àlvaro Guerra, Mário Cláudio, Vasco Graça Moura, Mário Moutinho, Sousa e Silva, Helena Rainha Coelho, José Norton, Helena Campos Henriques, João Pool da Costa, César Luís de Carvalho, Lourenço Pereira Coutinho e outros.
Refira-se, também, que escritores ingleses tão importantes como Arthur Conan Doyle, Edward Quillinan, Bernard Cornwell e C.S. Forester têm obras onde surge este período da História de Portugal.
Robert Southey, o grande Poeta inglês, crítico, ensaísta e historiador, “ o primeiro lusófilo britânico”, é autor da “History of Peninsular War” (3 volumes, 1823-1832).
Deverá referir-se, entretanto, que houve Autores nacionais que não tendo inserido na sua obra literária episódios ou cenas ocorridas durante a Guerra Peninsular, vieram, porém, a tratá-la em textos históricos e ensaísticos: Raul Brandão (“ El-Rei Junot”), João Grave (“ O Passado”) e Teixeira de Pascoaes (“Napoleão”).
Pinheiro Chagas e Abel Botelho, já referidos como ficcionistas, trataram do tema também do ponto de vista estritamente histórico.
O primeiro, em a “ Guerra Peninsular” (1870 – vol. I de “Educação Popular”) e em “Migalhas de História Portuguesa” (1893), e o segundo, em “ A Península Ibérica contra Napoleão” (Lisboa, 1.ª ed. 1907, Tabuaço, 2.ªed.2008).
Muitas edições das obras dos Autores apresentados enriqueceram-se com ilustrações assinadas por grandes Artistas, como Augusto Gomes – o maior ilustrador das obras de Arnaldo Gama, que, aliás, contaram, também, com a estimável contribuição de Isolino Vaz e Gouveia Portuense – Maria Vasconcellos – esquecida irmã de Teixeira de Pascoaes – José Garcês e José Laranjeira, além de outros que anonimamente ou quase, também deram sinal á edição dos textos que nesta exposição se apresentam.
Registe-se, ainda, que o palco não se privilegiou da Guerra Peninsular ou Guerra da Independência, devendo salientar-se, no entanto, a adaptação teatral de “ O Sargento-Mor de Vilar” em 1874, por Augusto Garraio – que teve êxito estrondoso – a peça
“ O Soldado de Roliça ”, de L.A.L. (Edições Salesianas, 1954) e a opereta “ A Invasão”, com letra de José Galhardo e música de Raul Ferrão, estreada em 1952 no Teatro Avenida, em Lisboa, com Mirita Casimiro e, posteriormente, muito popularizada por Amália Rodrigues através da canção “ Lisboa não sejas francesa!”.
Já depois de iniciadas as comemorações do Bicentenário, Ana Paula Oliveira escreveu a peça “ Dias com História – caderno de Memórias”, representada na Escola E B 2 3 de Arrifana (Santa Maria da Feira) onde a autora é professora.
José Valle de Figueiredo
Comissário da Exposição
Cartaz
Folha de sala