Freguesia de Valverde

População: 95 habitantes

Dista da Sede de Concelho: 16,2 km

Área: 21,38 km²

Esta freguesia é limitada a nascente pelo rio Côa, a poente pela ribeira das Cabras, a sul pela freguesia de Azinhal e a norte pelo Pereiro e Mangide, pertencendo estas últimas ao concelho de Pinhel, do qual Valverde fez parte até 12 Julho de 1895. É das freguesias do concelho onde existem mais sepulturas antropomórficas abertas na rocha como se pode ver, por exemplo, na Sapateira e em Chão do Linho. A par das sepulturas, foi detectado um lagar de vinho só com tanque e outras formas de utensilagem que denunciam uma forte ligação com a terra.

Mas a ocupação humana desta terra deve ainda ser anterior aos romanos, como disse João de Almeida ao verificar que “no cimo do Cabeço Negro, cota de 633 metros, situada a 0,5km da margem esquerda do rio Côa, a cavaleiro da ponte de Valverde, existem ainda os restos de um pequeno castro lusitano. A sua situação tinha e tem ainda hoje um real valor para a defesa do Côa”. Disse igualmente que “quando foi construída a moderna Praça de Almeida, alguns técnicos militares eram da opinião que a sua edificação devia ser no Cabeço Negro por se prestar melhor à defesa da passagem do rio Côa”.

Pela sua importante situação dominando o Côa, desempenhou Valverde decisivo papel durante as lutas aqui travadas nos séculos XVIII e XIX. Quando em 1762 os espanhóis se preparavam para cercar Almeida foi aqui instalado um terço de auxiliares, o que corresponde actualmente a um regimento e era constituído por dez companhias com sessenta homens cada uma. O terço de Lamego estava no alto de Valverde e no alto do rio Côa, em frente de Almeida, guarnecendo os pontos considerados vitais para evitar a infiltração do inimigos pelo País adentro. Após renhida batalha, Almeida foi forçada a render-se.

Durante a terceira invasão francesa foi ainda de maior relevo o que se passou no chão de Valverde. Massena transpôs a nossa fronteira em 24 de Julho de 1810. No dia seguinte, o general Gardanne, com dois batalhões do regimento n.º 66 e duzentos cavalos, avançou para Valverde. Colocou o grosso do destacamento na encosta do Cabeço Negro e estabeleceu postos em Valverde e Aldeia Nova. A 28, achava-se Massena às portas de Almeida. Cavalos entrincheiramentos, começou a bombardeá-la em 26 de Agosto. E mais uma vez, Almeida teve-se que render.

Um mês bastou para que as coisas se começassem a inverter, ficando a Batalha do Buçaco, travada a 27 de Setembro, como um marco decisivo para as nossas pretensões. A vitória determinante por parte das tropas anglo-lusas foi conseguida a 14 de Novembro no Combate a que uns chamaram de Pinhel e outros denominaram de Valverde e de Pereiro.
A organização paroquial de Valverde deve remontar ao séc. XIII, já que em 1320 a Igreja de Nossa Senhora da Graça foi taxada em quarenta libras. Na visitação efectuada pelo bispo de Viseu nos fins de séc. XVI, verificou-se que a igreja era pequena e não tinha retábulo. Também não era rica, tendo somente um cálice de prata de três mil réis. O cura era da apresentação do Vigário da Igreja de S. Pedro de Pinhel. Os ornamentos limitavam-se a duas vestimentas, uma de tafetá carmesim com sebastos verdes inteira e nova, outra de tripa, inteira e bem usada, um frontal de tafetá amarelo e bem velho.

Possui Valverde um centro histórico com um pequeno largo onde se situa a igreja matriz, o campanário, o cruzeiro, a fonte, a casa mortuária e o cemitério antigo actualmente reconvertido em jardim.

Gastronomia
– Buzigada
– Morcela Doce
– Salada de Merugem
– Aboborada
– Coelho Bravo

Artesanato
– Vassoura de baleio
– Vassouras
– Estrados
– Capachos de baracejo
– Réstias de baracejo
– Queijo de cabra
– Aguardente em alquitarra

Atividades Económicas

- Agricultura
- Pastorícia
- Construção Civil

Festividades

- Nossa Senhora da Graça (1.ª quinzena de Maio)
- Santo António (bienal, 2.ª quinzena de Agosto)

Colectividades

Associação Desportiva e Cultural de Valverde
Localização: Rua do Forno, 6350-371 Velverde

Associação de Regantes, Florestação e Produção Animal de Valverde
Localização: Rua do Forno, 6350-371 Valverde

Associação da Solidariedade Social de Valverde
Localização: Rua do Forno, 6350-371 Valverde

Património

Património em vias de Classificação:
- Povoado Medieval no sítio da Sapateira

Património Edificado:
- Pequenos núcleos de Arquitectura Popular residencial e agrícola
- Ponte sobre a Ribeira dos Gaiteiros – Rural / Período Romano / Medieval (Conjectural)
- Fonte de Mergulho da Lameira – Periurbano / Medieval (Conjectural)
- Fonte de Mergulho do Vale – Periurbano / Medieval (Conjectural)

Património Religioso:
- Igreja Matriz – Urbano / séc. XVIII / XIX (Conjectural)
- Campanário Rústico / Urbano / XVIII
- Calvário – Periurbano / séc. XVIII / XIX
- Cruzeiro – Urbano / séc. XVIII / XIX

Património Arqueológico e Etnográfico:
- Castro de Castelo Mau – Rural / Bronze Final (Conjectural)
- Sepulturas Antropomórficas cavadas na Rocha no sítio da Sapateira – Rural / Medieval (Conjectural)
- Sepulturas Antropomórficas cavadas na Rocha no sítio do Chão do Linho – Rural / Medieval (Conjectural)
- Lagar Escavado na Rocha no sítio Prado da Sapateira – Rural – Romano / Medieval (Conjectural)

Património Natural e Lazer:
- Lapa Escura – Rural / Abrigo natural ocasionado por fragas rochosas sobrepostas perto de Castelo Mau

Outros Locais de Interesse turístico:
- Rio Côa
- Ribeira das Cabras
- Ribeira de Gaiteiros
- Moinhos de Água
- Reserva de Caça Associativa

Brasão

Escudo de prata, uma perdiz de sua cor e dois ramos de azinheira de verde, landados de vermelho, postos em pala, tudo alinhado em roquete; em campanha, ponte de um arco de negro, lavrada de prata, firmada nos flancos e movente de um pé ondado de azul e prata, de três tiras, a do meio carregada de um peixe de vermelho. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: «VALE VERDE - ALMEIDA».