Esta freguesia é limitada a nascente pelo rio Côa, a poente pela ribeira das Cabras, a sul pela freguesia de Azinhal e a norte pelo Pereiro e Mangide, pertencendo estas últimas ao concelho de Pinhel, do qual Valverde fez parte até 12 Julho de 1895. É das freguesias do concelho onde existem mais sepulturas antropomórficas abertas na rocha como se pode ver, por exemplo, na Sapateira e em Chão do Linho. A par das sepulturas, foi detectado um lagar de vinho só com tanque e outras formas de utensilagem que denunciam uma forte ligação com a terra.
Mas a ocupação humana desta terra deve ainda ser anterior aos romanos, como disse João de Almeida ao verificar que "no cimo do Cabeço Negro, cota de 633 metros, situada a 0,5km da margem esquerda do rio Côa, a cavaleiro da ponte de Valverde, existem ainda os restos de um pequeno castro lusitano. A sua situação tinha e tem ainda hoje um real valor para a defesa do Côa". Disse igualmente que "quando foi construída a moderna Praça de Almeida, alguns técnicos militares eram da opinião que a sua edificação devia ser no Cabeço Negro por se prestar melhor à defesa da passagem do rio Côa".
Pela sua importante situação dominando o Côa, desempenhou Valverde decisivo papel durante as lutas aqui travadas nos séculos XVIII e XIX. Quando em 1762 os espanhóis se preparavam para cercar Almeida foi aqui instalado um terço de auxiliares, o que corresponde actualmente a um regimento e era constituído por dez companhias com sessenta homens cada uma. O terço de Lamego estava no alto de Valverde e no alto do rio Côa, em frente de Almeida, guarnecendo os pontos considerados vitais para evitar a infiltração do inimigos pelo País adentro. Após renhida batalha, Almeida foi forçada a render-se.
Durante a terceira invasão francesa foi ainda de maior relevo o que se passou no chão de Valverde. Massena transpôs a nossa fronteira em 24 de Julho de 1810. No dia seguinte, o general Gardanne, com dois batalhões do regimento n.º 66 e duzentos cavalos, avançou para Valverde. Colocou o grosso do destacamento na encosta do Cabeço Negro e estabeleceu postos em Valverde e Aldeia Nova. A 28, achava-se Massena às portas de Almeida. Cavalos entrincheiramentos, começou a bombardeá-la em 26 de Agosto. E mais uma vez, Almeida teve-se que render.
Um mês bastou para que as coisas se começassem a inverter, ficando a Batalha do Buçaco, travada a 27 de Setembro, como um marco decisivo para as nossas pretensões. A vitória determinante por parte das tropas anglo-lusas foi conseguida a 14 de Novembro no Combate a que uns chamaram de Pinhel e outros denominaram de Valverde e de Pereiro.
A organização paroquial de Valverde deve remontar ao séc. XIII, já que em 1320 a Igreja de Nossa Senhora da Graça foi taxada em quarenta libras. Na visitação efectuada pelo bispo de Viseu nos fins de séc. XVI, verificou-se que a igreja era pequena e não tinha retábulo. Também não era rica, tendo somente um cálice de prata de três mil réis. O cura era da apresentação do Vigário da Igreja de S. Pedro de Pinhel. Os ornamentos limitavam-se a duas vestimentas, uma de tafetá carmesim com sebastos verdes inteira e nova, outra de tripa, inteira e bem usada, um frontal de tafetá amarelo e bem velho.
Possui Valverde um centro histórico com um pequeno largo onde se situa a igreja matriz, o campanário, o cruzeiro, a fonte, a casa mortuária e o cemitério antigo actualmente reconvertido em jardim.
Património